terça-feira, 22 de setembro de 2009

Escudo de Lúcio - Parte 2

Desde que Lúcio beijara Marina pela primeira vez, sua vida mudara para melhor. A embriaguês de fossa se transformara em curtição ao lado da menina e rendera boas histórias. A amargura pela forma física de barril fora superada – tinha ao seu dispor um alguém que o desejava apesar da pança. Mas nem tudo eram flores, para variar. O maldito escudo de proteção estivera mais forte do que nunca, potencializado pelos danos do namoro anterior. Lúcio se convencera de que posar de insensível seria a melhor maneira de seguir ileso.

Durante os meses em que estiveram juntos, Marina nunca teve chance de impor sua vontade. Tinha medo de deixar que Lúcio escapasse por entre seus dedos caso fosse pressionado. E ele reforçava essa possibilidade quando reclamava do autoritarismo de Aline, a quem Marina odiava e tratava com um desprezo quase infantil. A “ex” também não ficava devendo no comportamento e as duas faziam papel de concorrentes a um prêmio precioso, inflando constantemente o ego de Lúcio. Não sei bem o porquê do incômodo de Aline. Esta partira para outra - aliás, várias outras - desde o rompimento.

O problema é que o tempo passa e, mais uma vez tenta ensinar Lúcio a sair do casulo e se deixar sentir. E foi assim que a tal oportunidade de ouro com Marina degringolou. A menina eventualmente cansou de ferir a autoestima na esperança de que Lúcio amolecesse. Cansou de ficar à disposição de quem não estava à sua. Decidiu “abraçar o mundo”, como lhe explicou docemente. E Lúcio então percebeu a asneira que fizera.

Como pôde posar de comandante do relacionamento sabendo da estima de sua amada? Sim, sua amada. Porque após a eminência da perda, Lúcio percebeu que sem ela, melhor não estaria. Percebeu que o medo que sentia de ser controlado e subjugado como fora no passado era infundado. Marina nunca o censurou em suas empreitadas. Sequer condenou o comportamento um tanto quanto autodestrutivo que sustentava no ambiente acadêmico (maldito medo de críticas). Ela esteve ali, lépida e fagueira. Mulher e companheira.

Hoje Marina é amada, mas se vinga e se defende mantendo distância de Lúcio. Não faz um mês ainda que abriu as asas e se afastou do amado. Mas essas semanas estão sendo as mais demoradas na vida de Lúcio. E também as mais entorpecidas. Ainda bem que a felicidade não mora em copo de bar ou a AmBev estaria mais rica que a Microsoft e o Lúcio teria desistido de lutar por Marina.

A despedida da menina foi branda e mais soou aos ouvidos de Lúcio como um aviso. Pelo menos é esse o pensamento que o conforta todas as manhãs, quando acorda de ressaca, louco para telefoná-la. Mas não o faz, ela pediu espaço, disse que queria avaliar o que sentia. A verdade é que ela precisa recuperar sua autoestima e cuidar do amor próprio ferido pela frieza fingida de Lúcio. E ele vai dormir todas as noites pensando se algum dia será capaz de corrigir seus erros e se ver livre desse maldito escudo que o impede de crescer.


Fim

Um comentário:

Rê Coelho. disse...

Vamos ver se agora a Dona Morena termina a história da Bailarina e do Soldado de Chumbo.
A Loja de Brinquedos está precisando de mais personagens!!!

xD